Ayat Akrass

Descaminho

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Fecham-se os olhos um instante. Tenho-os na imagem, de uma devastação a outra, errando pela paisagem. Acima deles, nas nuvens, outros cortejos, fruto da monstruosidade.
Arrastando-se no vento frio, pequenos seres desterrados, andrajosos, buscando um lugar para a paz. Onde trovões e chuvas de fogo não sejam mais o cotidiano. Diferente daquilo que deixam para trás. Aquelas hostes interrompem o seu crescimento e parecem mudar, quando na luz do poente, outros rostos transparecem. A face humana à tona, desfigurada pelo toque enfurecido da cisão social, condena toda uma existência.