Ayrthon Nenê Caetano

Ao Tranquito Vou Indo

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Meu flete bem encilhado pede cancha no rodeio
Eu firmezito no arreio sigo a la cria sem rumo
Repontando a solidão e as mágoas que a vida traz
Procuro deixar pra traz as dores do coração

Sei que o alambrado da vida e longo e tem espinheiro
Por isso mesmo parceiro não ando na contra mão
Pois açoiteira do tempo sempre castiga lá adiante
Então minha luta e constante por justiça e por razão

Alapucha mas que estrada mais cheia de contra tempos
Tem arapucas armadas em todo o lugar que ande
Mas o peão do rio grande e mui guapo e destemido
Nunca foge do perigo aonde quer que ele ande

Então eu sigo meu caminho montado com elegância
Sorvo com gosto a fragrância do perfume do minuano
Mas te digo eu não me engano com fatiota e prosa fina
Pra macho não dobro a esquina e nem vivo me exaltando

Carrego uma água benta no meu cantil de soldado
Daquelas que matou o guarda e nem o vigário agüenta
Mas e ela que esquenta o meu sangue quando esfria
Sou como potro aporreado soltando fogo das ventas

E assim vou levando a vida sempre olhando para frente
Pois sou um taura valente que não conhece tristeza
Em tudo encontro beleza até nas coisas mais rudes
Só bebo água de açude ou em rio de correnteza